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quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Vídeo online- para onde convergem empresas, audiências e conteúdos



A conferência The Future of Online Media Distribution, realizada na segunda semana de Novembro, juntou cerca de 400 executivos ansiosos por ouvirem boas notícias. Os oradores não desiludiram, mas deixaram alertas. O keynote speaker, Erik Huggers, director da BBC Future Media & Technology, deu o mote ao anunciar que quase 250 milhões de videos tinham sido vistos no serviço da estação (iPlayer). A descrição da audiência não podia ser mais transversal: pessoas de todas as idades que vêem videos a todas as horas do dia. Assinalando que a audiência do iPlayer é incremental face às visualizações tradicionais, Huggers disse também que a prioridade é colocar o serviço no maior número possível de plataformas e lançar uma rede social de forma a envolver a audiência de forma mais profunda com a programação.
A popularidade dos videos online é crescente, mas a Europa ainda não apanhou o passo dos EUA. Os produtores de conteúdos americanos mostram-se mais rápidos e versáteis a estabelecer acordos de patrocínio e ligação às IT, enquanto os europeus ainda persistem de forma exagerada em modelos tradicionais de publicidade online. E esta pode muito bem ser a fronteira entre um projecto interessante e de boa saúde financeira e um projecto porventura igualmente interessante mas a lutar para sobreviver, com toda a turbulência associada.
Claro que é um jogo em que o equilíbrio exige uma partilha de entendimento e oportunidades entre produtores de conteúdos e as empresas que actuam no mercado. A razão pela qual as empresas americanas adoptaram, mais cedo, modelos de participação diferenciados nos projectos de vídeo online é a mesma porque já têm estratégias de comunicação digital mais sofisticadas. Projectos como o da Dell - Dell Means Business - ou da Genworth Financial - Forward Thinking - em sectores tão distintos quanto a informática e os serviços financeiros são bem o espelho dessa comunhão de interesses entre empresas, audiência e conteúdos.

sábado, 22 de novembro de 2008

Videonomics - Cultura de Gestão

“A sua caixa atingiu a capacidade maxima, por favor elimine algumas mensagens”. E nós paramos, ouvimos as mensagens que a vida de todos os dias deixou guardadas no gravador, decidimos se é importante manter esse ficheiro ou se podemos apagar até completarmos todo o processo.
Pode ocupar-nos 10 minutos ou meia hora e pode parecer que não faz diferença.
Na realidade, o preço do armazenamento de dados cai 50% a cada 18 meses que passam e o preço do processamento a cada 2 anos. 1 terabyte de storage custa, a preços correntes, 120 dólares e um computador Dell standard tem essa capacidade.
Metade de um terabite corrresponde também à capacidade de storagem instalada em toda a revista Wired, o título-ícone da Economia Digital e cujo editor, Chris Andersen, encontrou nesta estória uma evidência palpável da teoria que apresenta no seu novo livro, “Free”. É que a capacidade de armazenamento é hoje abundante, e por isso barata, mas o tempo das pessoas é cada vez mais escasso.


O projecto Videonomics tem tudo a ver com tempo e com a necessidade de termos acesso às ideias, aos projectos, às pessoas e ao que estão a fazer em tempo útil. Todos os dias são publicados 65 mil novos videos no YouTube. Todos os dias, e são os mesmos dias, são publicados 3 mil novos livros. Uma semana de informação num jornal de referência como o New York Times agrega tantos dados quanto seria possível reunirmos numa vida inteira … no século XVIII!
Estamos viciados em informação e tantas vezes esmagados pela dificuldade de a consumir em tempo útil ou de a consumir sequer. Sabemos que parte de todos os conteúdos que diariamente são produzidos é lixo, mas enfrentamos o clássico dilema do David Olgilvy .. não sabemos qual das partes é lixo ou somos obrigados a gastar o pouco tempo de que dispomos para o descobrir. E tudo isto acontece numa era em que a troca de ideias e de experiências é mais importante do que nunca.

O Videonomics propõe-se ser um facilitador, um descodificador e também um produtor de conteúdos. Um projecto que nos ajude, todos os dias, a encontrar ideias, projectos e pessoas que estão a acrescentar valor à nossa realidade, a abrir caminhos de futuro e a criar novos espaços de felicidade e realização.
É um projecto de gestão, numa visão da disciplina como agregadora de um conjunto de conhecimentos e práticas que nos permitem alcançar melhores resultados e viver melhor. E nesse sentido, gestão é também cultura, iniovação, tecnologia, investigação. psicologia, filosofia, biologia e matemática. Entre outros. Hoje como nunca sentimos, mais do que sabemos, que tudo está inequivocamente ligado.

E porque o espírito é de partilha, este é também um projecto que desde a hora zero vai ser comunicado passo a passo. A vida é uma audaciosa aventura ou nada e colocar no ar a primeira webTV de Gestão tem, sem dúvida, muito que contar.

Uma nota aos cépticos e um agradecimento ao professor António Câmara: este blogue foi criado há um mês com os objectivos que estão traçados neste post. Durante um mês, a voz dos cépticos que já ouvi em projectos de terceiros, fez-me hesitar. Portugal é estranhamente um país onde uma enorme generosidade convive lado a lado com o culto do falhanço. Esta semana, tive o privilégio de assistir a uma conferência do professor António Câmara no Instituto Superior de Gestão. Num relato de uma autenticidade comovente e com a simplicidade que só a sabedoria traz, o fundador da Ydreams passou em revista a história do seu projecto, os acidentes de percurso, os erros, as vezes em que as coisas simplesmente não deram certo. E que são absolutamente imprescindíveis para aquilo que nos habitamos a designar por sucesso e que, felizmente, ele também sabe o que é. Só não falha quem não tenta e nesse barco tenho a certeza que não quero estar.